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Calculadora de salário líquido 2026
Do bruto, desconte o INSS pela tabela progressiva; sobre o que sobrar, aplique o Imposto de Renda com seus dependentes; então retire vale-transporte e plano de saúde. Em 2026, quem recebe até R$ 5.000 por mês está isento de imposto pelo redutor da Lei 15.270/2025.
O valor do contrato, antes de qualquer desconto.
O que sai do seu salário todo mês
INSS
Progressivo por faixa, de 7,5% a 14%, até o teto de R$ 8.475,55. Acima disso o desconto trava em R$ 988,09.
Imposto de Renda
Incide sobre o bruto menos o INSS e menos a pensão alimentícia, com dedução de R$ 189,59 por dependente.
Redutor da Lei 15.270/2025
Zera o imposto até R$ 5.000 de bruto mensal e vai diminuindo até desaparecer em R$ 7.350.
Vale-transporte
O menor entre 6% do salário base e o custo real do transporte. O excedente é despesa da empresa.
Vale-refeição do PAT
Desconto de no máximo 20% do custo, e não entra na base do INSS nem do Imposto de Renda.
Plano de saúde e consignado
Descontos contratuais, retirados depois dos impostos, com limite legal para o consignado.
Exemplo completo
Salário de R$ 4.000, sem dependentes, gastando R$ 90 por mês de ônibus. O INSS progressivo desconta pouco mais de R$ 380. O Imposto de Renda fica em zero, porque o bruto está abaixo dos R$ 5.000 do redutor. No vale-transporte, a empresa poderia descontar até R$ 240, os 6% do salário, mas desconta apenas os R$ 90 do custo real. Descontar os 6% cheios nesse caso tira R$ 150 a mais do trabalhador todo mês, e é exatamente o erro que as calculadoras genéricas repetem.
Tabela do INSS 2026
O desconto é progressivo: cada faixa incide só sobre a parte do salário que cai dentro dela, não sobre o total. É por isso que quem ganha R$ 3.000 não paga 12% de tudo. Valores da Portaria MPS/MF 13/2026, que é a mesma tabela usada pela calculadora acima.
| Faixa salarial | Alíquota | Desconto máximo da faixa |
|---|---|---|
| Até R$ 1.621,00 | 7,5% | R$ 121,58 |
| De R$ 1.621,01 a R$ 2.902,84 | 9% | R$ 115,37 |
| De R$ 2.902,85 a R$ 4.354,27 | 12% | R$ 174,17 |
| De R$ 4.354,28 a R$ 8.475,55 | 14% | R$ 576,98 |
O teto de contribuição é R$ 8.475,55. Quem ganha acima disso desconta sempre R$ 988,09, o valor máximo somando todas as faixas, e nada além.
Tabela do Imposto de Renda 2026
O IR não incide sobre o bruto: incide sobre o bruto menos o INSS, menos a pensão alimentícia e menos R$ 189,59 por dependente. Sobre esse resultado se aplica a alíquota da faixa e se abate a parcela a deduzir.
| Base de cálculo mensal | Alíquota | Parcela a deduzir |
|---|---|---|
| Até R$ 2.428,80 | isento | — |
| De R$ 2.428,81 a R$ 2.826,65 | 7,5% | R$ 182,16 |
| De R$ 2.826,66 a R$ 3.751,05 | 15% | R$ 394,16 |
| De R$ 3.751,06 a R$ 4.664,68 | 22,5% | R$ 675,49 |
| Acima de R$ 4.664,68 | 27,5% | R$ 908,73 |
Além dessa tabela existe o redutor da Lei 15.270/2025, que é o que mais confunde em 2026: ele zera o imposto de quem recebe até R$ 5.000 de bruto por mês e vai diminuindo até sumir em R$ 7.350. Quem ganha R$ 4.800, por exemplo, cairia na faixa de 15% pela tabela antiga e hoje não paga nada. Calculadora que ignora o redutor mostra desconto que não existe mais.
O cálculo passo a passo, com um salário de R$ 3.500
A ordem das operações importa, porque cada etapa muda a base da seguinte. Veja o caminho completo para quem ganha R$ 3.500 sem dependentes:
1. INSS progressivo por faixa
7,5% sobre os primeiros R$ 1.621,00 = R$ 121,58. Mais 9% sobre a parte entre R$ 1.621,01 e R$ 2.902,84 = R$ 115,37. Mais 12% sobre o que sobra até R$ 3.500 = R$ 71,66. Total de R$ 308,61, que é 8,8% do salário, não 12%.
2. Base do Imposto de Renda
R$ 3.500,00 menos o INSS de R$ 308,61 dá R$ 3.191,39. Sem dependentes e sem pensão, essa é a base.
3. Imposto pela tabela
A base cai na faixa de 15%: R$ 3.191,39 × 15% = R$ 478,71, menos a parcela a deduzir de R$ 394,16, resulta em R$ 84,55.
4. Redutor da Lei 15.270/2025
Como o bruto de R$ 3.500 está abaixo de R$ 5.000, o redutor zera o imposto. O IR devido passa a ser R$ 0,00.
5. Líquido
R$ 3.500,00 menos R$ 308,61 de INSS = R$ 3.191,39, antes de descontos contratuais como vale-transporte e plano de saúde.
Repare no tamanho do erro possível: calculadora que aplica 12% direto sobre o bruto tira R$ 420 de INSS em vez de R$ 308,61, e calculadora que ignora o redutor ainda cobra R$ 84,55 de imposto que não existe. As duas juntas erram o líquido em quase R$ 200 por mês.
O que a empresa pode e o que não pode descontar
A regra geral está no artigo 462 da CLT: fora dos descontos previstos em lei ou em acordo coletivo, a empresa só pode descontar com sua autorização. E mesmo autorizado, existe limite.
Pode, por força de lei
INSS, Imposto de Renda, pensão alimentícia determinada judicialmente, contribuição sindical quando autorizada e vale-transporte até 6% do salário base.
Pode, com sua autorização
Plano de saúde, seguro de vida, farmácia conveniada, empréstimo consignado (com teto legal de margem) e vale-refeição do PAT, este limitado a 20% do custo.
Não pode
Prejuízo causado por culpa sua sem previsão contratual, quebra de caixa não pactuada, uniforme obrigatório, ferramentas de trabalho e custo de EPI. O risco do negócio é do empregador (artigo 2º da CLT).
Só com dolo comprovado
Dano causado intencionalmente pode ser descontado independentemente de acordo prévio, mas cabe à empresa provar a intenção.
Falta injustificada
Desconta o dia mais o descanso semanal correspondente. É legal, mas precisa aparecer discriminado no holerite.
Por que férias e 13º caem diferente na conta
Muita gente estranha ao ver que o líquido das férias ou do 13º não segue a mesma proporção do salário. Não é erro: são três regras de tributação distintas.
Salário mensal
INSS e IR incidem juntos sobre o valor do mês, na tabela progressiva normal.
13º salário
Tributado de forma exclusiva e separada do salário, com tabela própria. Toda a carga de INSS e IR sai na segunda parcela, o que faz a segunda parcela parecer muito menor que a primeira. Veja em detalhe na calculadora de 13º.
Férias gozadas
O terço constitucional entra na base do IR, mas não na base do INSS. Por isso o líquido das férias costuma superar o do salário comum.
Férias indenizadas na rescisão
Férias vencidas e proporcionais pagas no desligamento, e o respectivo terço, são isentas de INSS e de Imposto de Renda.
Aviso prévio indenizado
Também é isento dos dois, por ter natureza indenizatória e não salarial.
Essas isenções são justamente o que faz o líquido de uma rescisão ser maior do que a maioria das pessoas estima. Quem soma tudo e aplica a alíquota do salário sobre o total chega a um número bem abaixo do devido. A calculadora de rescisão separa verba por verba e aplica a tributação certa em cada uma.
Onde a conta costuma sair errada
INSS calculado com alíquota única
Aplicar 12% sobre todo o salário em vez de progressivo por faixa infla o desconto em centenas de reais.
Redutor da Lei 15.270 ignorado
Quem ganha entre R$ 2.428 e R$ 5.000 aparece pagando IR que hoje é zero.
IR incidindo sobre o bruto
A base é o bruto menos INSS e menos dependentes. Calcular sobre o bruto cheio superestima o desconto.
Vale-transporte descontado nos 6% cheios
O desconto é o MENOR entre 6% do salário e o custo real da passagem. Quem gasta menos que 6% desconta só o gasto.
Dependentes esquecidos
Cada dependente abate R$ 189,59 da base do IR, o que pode mudar a faixa inteira.
Adicionais fora da base
Insalubridade, periculosidade, noturno e horas extras entram na base do INSS e do IR do mês em que são pagos.
Esses erros não são hipotéticos: testamos as calculadoras mais bem posicionadas do Google e documentamos verba por verba onde cada uma erra.
Perguntas frequentes
Como calcular o salário líquido?+
Do salário bruto, desconte primeiro o INSS pela tabela progressiva. Sobre o que sobrou, aplique a tabela do Imposto de Renda, considerando os dependentes e a pensão alimentícia. Depois retire os descontos do contrato, como vale-transporte e plano de saúde. O que resta é o líquido que cai na conta.
Quem ganha até R$ 5.000 paga Imposto de Renda em 2026?+
Não. A Lei 15.270/2025 criou um redutor que zera o imposto para quem tem rendimento bruto mensal de até R$ 5.000. Entre R$ 5.000 e R$ 7.350 o redutor diminui progressivamente, e acima disso o imposto sai integral pela tabela. O redutor é calculado sobre o bruto do mês, não sobre a base tributável.
Quanto a empresa pode descontar de vale-transporte?+
No máximo 6% do salário base, e nunca mais do que o custo real do transporte (artigo 4º da Lei 7.418/85 e artigo 9º do Decreto 95.247/87). Vale sempre o menor dos dois. Quem mora perto e gasta R$ 90 por mês desconta R$ 90, não os 6%. Se o transporte custa mais que 6%, a diferença é despesa da empresa.
Horas extras e comissões mudam o salário líquido?+
Sim. Elas entram no bruto do mês e aumentam a base do INSS e do Imposto de Renda, o que pode empurrar você para uma faixa maior e reduzir o percentual que sobra. Também podem tirar você do alcance do redutor da Lei 15.270 em meses de valor alto.
O INSS é descontado sobre todo o salário?+
É progressivo por faixa, e não uma alíquota única sobre o total. Cada parte do salário paga a alíquota da sua faixa, de 7,5% a 14%, até o teto de R$ 8.475,55 em 2026. Acima do teto, o desconto para em R$ 988,09, então quem ganha mais paga o mesmo valor de INSS.
Quanto sobra de um aumento de salário?+
Depende da faixa em que você está. Na faixa isenta de Imposto de Renda, quase todo o aumento chega na conta. Acima do teto do INSS, o aumento sofre apenas o imposto, restando cerca de 72,5% dele. A calculadora acima mostra o valor exato para o seu salário.
Veja também
- Calculadora de rescisão completa, com aviso prévio, férias e multa do FGTS
- Calculadora de 13º salário, que tem tributação separada do salário do mês
- Calculadora de férias, com o terço constitucional e a venda de 10 dias
Conteúdo informativo baseado na CLT, na Lei 7.418/85, na Lei 15.270/2025 e nas tabelas oficiais de INSS e Imposto de Renda vigentes em 2026. Ferramenta de conferência, não substitui o holerite do seu empregador.